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domingo, 11 de novembro de 2007

Mulher Paisagem...


Queria deixar de imaginar os teus lábios de boneca pintada, vermelhos e quentes...

Queria que a tua imagem de mulher com meias pretas não me tolhesse a Alma...

Queria ser capaz de entender a vulgaridade da tua Paisagem de Mulher decorada com os enfeites do prazer sem retorno...

Queria saber o teu nome, mesmo que nunca te olhásse...

Queria acreditar na ilusão que provocas no orgasmo que seduzes...

Queria entrar dentro de ti para afugentar a Morte...

sábado, 3 de novembro de 2007

...Nas tuas lágrimas...


Quando choras, as tuas lágrimas atravessam a minha alma e desaguam nos meus olhos cansados e doridos... Os nossos corações abraçam-se no silêncio ensurdecedor que os consome...

Revejo em ti a criança que um dia teve o direito de sonhar todos os sonhos, recordo as côres do teu sorriso num rosto onde o verde pérola do teu olhar tinha a força de todas as eternidades...

Lembro-me de ti na loucura quente dos momentos em que te esperava e tu acontecias num milagre sempre renovado... A magia dos teus lábios doces no sabor inocente dos meus, a permanência sem tempo no calor que derretia todas as muralhas...

Lembro-me de te Amar assim, sem imaginar que o destino que há nas coisas, premeditava o modo e o tempo do sofrimento...

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

NO MEU OLHAR...


Queria olhar-me nos olhos e sentir a doçura quente e terna do teu rosto, mesmo sabendo que o posso ter inventado... Queria sentir a fome dos teus lábios aveludados e húmidos, mesmo que nunca tenham existido...

Queria ser o antes e o depois sem o durante, queria ser capaz de pintar a noite sem ofuscar as estrelas... Queria materializar a imagem de alguém que apenas desejo, dar-lhe forma e vida... Queria ser-me nem que fosse por um instante...

sábado, 27 de outubro de 2007

Memória...


Sinto que o tempo todo caíu hoje dentro de mim... como se o tempo que passou, tivesse conseguido passar-me ao lado... Por vezes, a mente parece explodir num sofrimento atroz, ao tentar lembrar acontecimentos, lugares e tempos onde "supostamente" vivi...

...Memórias perdidas, lugares infindáveis, crepúsculos e amanheceres... Não sei o que aconteceu... Sinto que algo me impede de recordar... Numa tortura sem nome, vou prosseguindo o meu caminho sem encontrar as minhas pegadas...


Não me Esqueças...


Quando te olhares no espelho da memória, olha com os olhos da alma e repara, repara na imagem daquelas crianças... continuam lá, naquele tempo onde as abandonámos, oiço-as a chorar num lamento sem tempo...
Lembro-me do tempo em que existimos fora do tempo... Lembro-me do nosso olhar sem sombras nem distância...
Naquele tempo, até o nosso sofrimento parecia ter saído de um livro de contos mágicos...
Hoje a ausência é eterna...

Escrevendo o Amor...


Escrevo o Amor no vestígio dos teus passos,

olho-te no espaço, enquanto a tua ausência ainda o é...

Amanhã não existirão marcas, odores ou sensações

presas entre dois tempos...


Amanhã o ontem será apenas memória,

a memória que fica quando tudo parte...

Amanhã, não serei capaz de decifrar o teu rosto,

ou amadurecer a tua expressão em mim...


Amanhã... Será um nada, pouco menos nada,

que o depois de amanhã...


domingo, 14 de outubro de 2007

...Paisagens Nuas...


Anónima e Amorfa, a tarde insiste em adormecer diante dos meus olhos cansados de não adormecer... Vai longe o tempo em que o Tempo e o Espaço se fundiram numa variável sem nome...
Neste lugar de um Tempo que não era o mesmo, aconteceram paisagens por preencher, espaços sem nome, onde o possível e o imaginário eram um só e estavam presentes em simultâneo...
Lembro-me das sensações e das fronteiras quebradas...
...Corre densa a memória esgotada, moribunda de si mesma, dançando na consciência dos seus últimos momentos...

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Amanhece...


Amanhece no teu olhar
o mel que o torna tão doce...
Amanhece em ti a segunda natureza,
povoando uma Alma sem nome e sem esperança...
Lembras-me palavras soltas na tarde lenta do devaneio
inconsistente e perdido...
Lembras-me Paisagens mudas,
lugares proibidos.
Gestos sem nome...