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sábado, 17 de maio de 2008

Recordação sem Memória...


Existe em mim a sombra vaga e breve dos meus olhos atravessando a neblina dos teus...

Sei que a memória se assemelhava ao ondular de uma lágima escorrendo na face como quem desce uma colina na direcção do mar... Talvez a saudade também tivesse o sabor a sal...

Não sei se sinto saudades de mim ou dos meus gestos inocentes, cândidos e perfumados com os aromas inesperados dos locais sem tempo...

Nascia em cada manhã um sonho sem contornos, como se a luz e a escuridão ainda fossem irmãs, havia dentro do meu coração uma chama que ainda acendia o olhar....

Naqueles dias inconscientes, a infinitude do Ser, acontecia de forma inominada...

Naquelas noites distantes, as vozes que rompiam o silêncio, tinham o calor de um abraço!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Na Curva do Tempo!


As imagens, os sons, os lugares, tudo se volatiliza... Persiste a memória vaga e exasperante, próxima da inexistência...

As lágrimas esqueceram a nitídez da razão do seu chorar, chegam e partem, distantes e amorfas...

Neste amanhecer onde as palavras se esqueceram do sentido, o mêdo e a angústia pesada, calcinaram o sonho, como quem retira a última esperança a um moribundo...

Esta manhã quase nocturna encerra na sua densidade, o indizível que há dentro de nós, como se uma palavra pudesse evitar a implosão de todo o nosso ser...

Cada olhar acentua o vazio deste tempo que não sendo meu, ainda é a única evidência que me liga à terra...

Não sei se estes vestígios de mim, ainda suportam a prova da minha identidade, ou se a sua linha ténue que os suporta, não será apenas ilusória...

Talvez, cada palavra ou gesto se tenha tornado absolutamente inútil e absurdo, talvez, este acto de ensaiar a escrita como quem ainda procura a eternidade, não passe de um grito sem som, onde a minha alma se contorce...

terça-feira, 4 de março de 2008

Perdido...



Procuro um lugar longe de mim,
do meu olhar cansado de não adormecer...

Preciso amordaçar a dôr e o medo,

libertar-me nos teus braços,

mesmo sabendo que pode ser o último abraço...

Sorrir nos teus lábios a côr dos meus,

amar-te sem antes nem depois,

ultrapassar-me sem ter consciência disso...
Ser Feliz sem o Pensar...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Nos Últimos Momentos...


Nos últimos momentos, talvez procure o teu calor, a tua ternura, ou apenas decida abandonar-me na solidão solene do último olhar...
Nos últimos momentos, é provável que a fragilidade seja próxima da orfandade, é natural que te pegue na mão para que a partida seja menos dolorosa...
Receio a aflição dos instantes derradeiros, sabendo-os finais...
A solidão comporta uma forma muito especial de ante-câmara da morte...
Confesso que não deveria estar a falar da morte, da minha morte, quando a vida ainda me pode surpreender...
Não sei, a tarde caiu densa e sufocou o meu coração e a minha alma magoada de uma dôr indizível...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Sinto o Tempo a esvair-se...


Este pode ser o instante último dos pensamentos

que ainda me restam…

Instante de dor consentida na mágoa

Alucinante da saudade…

Instante último de um tempo

Que não sendo meu, senti que um dia era minha pertença…

Não lhe conhecia o seu rosto,

Não imaginava os seus contornos…

A sua presença era visível na ausência…

Contudo, o hábito do novo dia,

Criava em mim a ilusão…

Não pensava o tempo a finar-se

Levando-me consigo…

Vivia numa inconsciência só geneticamente consciente…

Acreditava na Eternidade como fazendo parte dela….

Hoje, sinto a angústia das horas,

O anunciar de novas perdas…

Ausências que anunciam outras ausências…

Agora o coração chora baixinho,

Não vá o tempo acordar de mau humor…

A dor que se expande na Alma,

Uma dor cansada, rendida…

A angústia dos fins, das inexistências infindáveis…

As vozes, os rostos, os passos, os sorrisos e as lágrimas

Que partiram para sempre…

Acordo e sei que amanhã voltarei para a sua inexistência…

Hoje tenho a clarividência de saber

Que a maior parte das coisas

Que me disseram que eram as mais importantes,

Valiam menos que o mais fedorento excremento…

Hoje, mais que ontem, menos que amanhã,

Tenho a certeza que nos militarizam a mente

Durante dois terços da vida…

Mentindo-nos sobre os valores autênticos e nobres da vida…

Durante dois terços da vida enganam-nos

Com slogans publicitários de Poder, Juventude, Riqueza,

Incitando-se a requerer o ingresso no mundo dos poderosos,

Oferecendo-se o primeiro lance ainda na condição de escravos…

Um dia, de repente, convencem-nos que já não precisam de Nós,

Somos velhos, inadequados, desactualizados, inúteis…

Tecnologicamente Incapazes…

Tentam dizer-nos que o Amor é sinónimo de Pornografia…

Reduzem o valor de um beijo, de um abraço ou de um sorriso…

O valor de tudo reside na susceptibilidade de poder ser convertido em valor económico…

Os amigos de ontem, hoje são homens e mulheres de negócios sem tempo

Para investir em relações sem valor monetário…

Todas as pequenas coisas de que a vida é feita,

São coisas ridículas….

Devemos envergonhar-nos das nossas emoções…

Somos patéticos…

Lentamente, acabam por nos abandonar num lugar sem nome,

Onde nada nos é familiar…

Um lugar, onde, quantas vezes, durante a Noite nos erguemos,

Como fantasmas, procurando na escuridão os velhos interruptores…

Quantos sons pensámos ter escutado…

Por instantes, pequeninas fracções de Tempo,

Quase sentimos Esperança,

Quase podemos sentir o calor do nosso velho cão roçar as nossa frágeis pernas…

Quase Acreditamos num Milagre,

Um Milagre antes do último instante…

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Algures...


Não sei se é tarde em mim ou se a madrugada insiste em romper o véu deste real que me separa e corroi...
Não sei se é tarde ou manhã ou se ainda me resta algum tempo mais...
Não sei a côr dos teus lábios nem se os consigo tingir com o cansaço dos meus...
Não sei se as lágrimas podem ser eternas, nem se a angústia morre nos meus gestos de não acontecer...
Desconheço o sabor das palavras, a forma de suavizar o abismo... Nada resiste ao ondular indistinto do pensamento...
Nenhuma palavra, gesto ou grito sobreviverá...

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Amar-te em Silêncio...


Percorro o teu corpo no silêncio mais profundo, evitando acordar o tempo...

Arde em nós a lava dos vulcões primeiros, tal como o toque dos nossos lábios...

Sinto-te na manhã de todas as manhãs, única no amanhecer suave e rosa...

Amo-te sem precisar de articular uma palavra...

Noite mortífera...


Cavalguei na noite as vestes do guerreiro perdido,

senti a lança da escuridão apertar-me o peito num golpe final...

Alheio à luz, percorri a escuridão na angústia perfumada de morte...


Nada nem ninguém me pode libertar,

a noite adensa-se dentro de mim,

toma conta de todo o meu Ser...


Incapaz de libertar uma lágrima,

a Noite comove-me a Alma de uma dança mortífera...

Queria Olhar-te...


Queria olhar-te uma última vez, olhar-te na imensidão da tua autenticidade...

Queria olhar-te e ver a transparência dos teus desejos...

Queria saber-te nas palavras omitidas, nas expressões ocultas,

Queria navegar-te e sentir-te em mim paisagem,

Queria inventar um beijo com memória eterna,

Queria acreditar que a melodia da tua voz pode voltar a surgir no sopro breve do vento...

Queria pensar-te e acontecer-te num lugar onde o tempo e o espaço se abraçam na eternidade...

Queria ser algo mais, algo inesperado...

Queria ser a palavra não pronunciada, o gesto por cumprir...

Ser-me na Insconsciência consciente do Ser...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Nos últimos momentos...


Não sei se é a saudade ou uma memória vaga, sem contornos nem parâmetros definidos... Não sei... Por instantes, fui sobressaltado por uma imagem grandiosa de um lugar impossível... Vislumbrei a silhueta do teu corpo na contraluz pálida do anoitecer... Não sei se eras tu ou a imagem que criei de tanto te imaginar na tela branca e negra... Não sei se desejava pintar o teu corpo ou apenas esboçar a tua Alma... Não sei... Senti sempre, que os teus contornos do corpo e da alma não se fixariam nunca... Amadureci o branco da tela, coloquei-o numa parede e consegui criar a tua ausência...

Numa tarde sem tempo...


Debruço o pensamento na tua direcção e não vislumbro o teu rosto,

algo ou alguma coisa de estranho, convence-me que exististe,

talvez, tenhas feito um gesto, talvez um som, talvez tenhas sorrido,

neste tempo onde não te reconheço nem invento uma expressão,

rasgo a neblina que te esconde, espreito em busca de um rosto,

um rosto, onde os lábios contrastem com o olhar...

Procuro um rosto que prove a nossa existência breve...

Cordilheira de Sonhos...


Quentes e melodiosos, os teus olhos flamejavam,

suspendias o pestanejar e parecias querer dominar

a eternidade dos instantes com o olhar...



Dentro dos teus olhos vagueavam sombras sem nome,

como se os teus olhos fossem tocas, esconderijos...

Havia dentro do teu olhar um pensamento, uma palavra, por dizer...



Nos teus olhos navegavam oceanos, levantavam-se tempestades,

dos teus olhos partiam e chegavam gestos sem amanhã...

Nos teus olhos ancoravam navios fantasmas
...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Noite dentro da Noite...


Noite de mil Noites, dobrada sobre a madrugada,
Noite amedrontada pelo alvorecer lento e morno,
Noite cansada de não ser dia,
Noite humilhada na escuridão...
Noite perdida de si, dos seus labirintos...
Noite...

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Dentro da Noite...

Sombras negras povoam a minha mente,
algo em mim não sou eu,
sinto uma dôr pressentida,
parece-me escutar vozes distantes...

Busco nas palavras o aconchego breve,
o calor de pensar e escrever,
neste acto único e inútil...

Cheguei ao fim das palavras,
sem articular um som...
Dentro de mim, tudo é silêncio,
um silêncio sem rosto...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Palavras sem Tempo...


Não sei a côr do caminho, nem sequer conheço o som dos nossos passos,

sinto que a memória deixou de o ser,

hoje, todas as emoções, lugares, sons,

não passam de uma invenção necessária...

Memórias sem Memória...


terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Uma Luz na Tarde Moribunda...


Sem vida, a tarde fria e negra, acumulava-se nas bermas dum tempo que não reconheço...

Inesperadamente, ondulante nos gestos, sensual e anónima, caminhavas lado a lado com a tarde disforme e lânguida no seu incansável verberar de agonia... A doçura do teu rosto quente e belo, emprestava à tarde mais alguns instantes de Vida...

Breve, a tua presença desfez-se no crescendo de escuridão que absorvia o devaneio da esperança, beleza e imaginário, numa síntese a que poder-se-ia apelidar de Vida...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

...Não sei como te definir...


Ardente, o teu corpo contorcia-se de prazer,

na loucura que a linha do teu corpo desenhava...

Soltavas os cabelos e mordias os lábios

num gemido agudo e selvagem...

Acordavas nos movimentos

a côr vermelha do extase...

Dançavas uma dança sem nome

num corpo aberto ao imaginário...

domingo, 11 de novembro de 2007

Mulher Paisagem...


Queria deixar de imaginar os teus lábios de boneca pintada, vermelhos e quentes...

Queria que a tua imagem de mulher com meias pretas não me tolhesse a Alma...

Queria ser capaz de entender a vulgaridade da tua Paisagem de Mulher decorada com os enfeites do prazer sem retorno...

Queria saber o teu nome, mesmo que nunca te olhásse...

Queria acreditar na ilusão que provocas no orgasmo que seduzes...

Queria entrar dentro de ti para afugentar a Morte...

sábado, 3 de novembro de 2007

...Nas tuas lágrimas...


Quando choras, as tuas lágrimas atravessam a minha alma e desaguam nos meus olhos cansados e doridos... Os nossos corações abraçam-se no silêncio ensurdecedor que os consome...

Revejo em ti a criança que um dia teve o direito de sonhar todos os sonhos, recordo as côres do teu sorriso num rosto onde o verde pérola do teu olhar tinha a força de todas as eternidades...

Lembro-me de ti na loucura quente dos momentos em que te esperava e tu acontecias num milagre sempre renovado... A magia dos teus lábios doces no sabor inocente dos meus, a permanência sem tempo no calor que derretia todas as muralhas...

Lembro-me de te Amar assim, sem imaginar que o destino que há nas coisas, premeditava o modo e o tempo do sofrimento...

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

NO MEU OLHAR...


Queria olhar-me nos olhos e sentir a doçura quente e terna do teu rosto, mesmo sabendo que o posso ter inventado... Queria sentir a fome dos teus lábios aveludados e húmidos, mesmo que nunca tenham existido...

Queria ser o antes e o depois sem o durante, queria ser capaz de pintar a noite sem ofuscar as estrelas... Queria materializar a imagem de alguém que apenas desejo, dar-lhe forma e vida... Queria ser-me nem que fosse por um instante...